terça-feira, 27 de março de 2012

Seu Boneco, herança de Chico Anysio em Corumbá


Chico Anysio se foi e nos deixou uma rica herança de mais de 100 personagens, entre eles Seu Boneco, um dos alunos da Escolinha do Professor Raimundo. Era aquele sujeito pançudo, sempre de bermuda e chinelos de dedo, touca feita de meia de seda cobrindo a cabeça, que criou o bordão “eu vou pra galera”. Quem vivia o personagem era um dos oito filhos de Chico, o ator Lug de Paula, que foi casado com a atriz e também comediante Heloisa Périssé. Seu Boneco, Bozó, Pantaleão, Baiano, Coalhada, Nazareno, qualquer que seja o personagem, haverá sempre alguém semelhante em qualquer parte do País, porque Chico soube com genialidade retratar as características do povo brasileiro. A herança de Chico também habita as ruas de Corumbá, na figura de Seu Boneco, apelido que o lavador de carros Renê Vargas dos Santos ganhou dos moradores do centro da cidade. Mas a vida do Seu Boneco corumbaense não tem nada de comédia. É cercada de drama, dor e tristeza. Há 13 anos, ele foi um dos 16 supostos mendigos que as autoridades mandaram colocar em um ônibus e expulsar da cidade em um episódio que ganhou destaque internacional e mereceu editorial da Folha de São Paulo com o título “O Tráfico da Miséria”.  Os principais envolvidos foram indiciados por “seqüestro e cárcere privado”. O caso, que abalou os alicerces e deu novos rumos à política corumbaense, ocorreu durante a gestão do ex-prefeito Eder Brambilla. “Quando viu todos amordaçados, amarrados, um sargento baixinho da Polícia Rodoviária logo desconfiou que havia alguma coisa errada, mandou prender todo mundo que levava o ônibus, até um major, e mandou a gente de volta pra Corumbá”, contou-me Renê, durante entrevista ao Diário Corumbaense em março de 2008, que escolhi como título “O sobrevivente das ruas”. De Itapetininga, interior de São Paulo, o ônibus dos “mendigos” retornou a Corumbá, onde hoje Renê trabalha dignamente lavando carros. É o que faz desde que se mudou de Campo Mourão, no interior do Paraná, onde deixou a família. Trabalhador solitário, Seu Boneco nunca mais foi acusado de vadiagem e segue seu destino como sobrevivente das ruas de Corumbá. Seria cômico se não fosse trágico – diria Nelson Rodrigues.


domingo, 11 de março de 2012

Mulheres e outros encantos da Bolívia


Se você não pode ir à Bolívia, a Bolívia vem até a você. Pelo menos essa tem sido a tendência para ladarenses e corumbaenses, moradores da Fronteira oeste do País. Nas comemorações da Semana da Mulher, nossos vizinhos trouxeram a Ladário nove belas dançarinas do Corpo de Balé Folclórico de Puerto Quijarro, em trajes típicos, para representar cada um dos nove departamentos (Estados) da Bolívia: Beni, Chuquisaca, Cochabamba, La Paz, Oruro, Pando, Potosi, Santa Cruz e Tarija. Cada uma dessas regiões tem uma particularidade que merece ser vista pelo turista brasileiro – conhecer a Bolívia, sim, vale a pena, é bom e barato, é curioso e enriquecedor, pois trata-se de um País do Terceiro Mundo que não perdeu suas raízes e possui uma natureza encantadora. E até bons vinhos se produzem por lá, como os vinhedos de Tarija – desses eu posso falar porque saboreei uma taça durante o aniversário da Independência da Bolívia, acompanhado por uma deliciosa saltenha. Aliás, como já comentei aqui, quando fizeram uma enquete para escolher o salgadinho mais saboroso da fronteira, sabe o que deu? Saltenha, isso mesmo. Um salgado que os bolivianos importaram da cidade argentina de Salta, na fronteira norte. A Bolívia tem também o Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo, a 60 km de La Paz, uma capital tão alta, mas tão alta, que o avião para aterrissar no aeroporto precisa descer alguns metros, sem contar que lá de baixo da cidade se contempla as eternas geleiras da cordilheira dos Andes, a mais longa do mundo. E chega de falar da Bolívia, porque bom mesmo é ver tudo isso de bem perto.