domingo, 1 de fevereiro de 2026

O rap indígena da retomada

 

Nelson Urt/Navepress

O show do Brô MCs, sexta no Moinho Cultural, trouxe para o coração de Corumbá e do Pantanal a realidade dos indígenas Bruno Vn, Tio Creb, Kelvin Mbaretê e CH, integrantes do primeiro grupo de rap indígena do País, de toda a etnia guarani kaiwoá e o clamor dos povos originários brasileiros, em um momento crítico de opressão. A apresentação fez parte do Forum e Teia Cultural de Mato Grosso do Sul, que reuniu Pontos e Pontões de Cultura de MS, seus gestores, artistas, coletivos e fazedores de cultura de todo o estado, em um espaço de troca, formação, articulação e fortalecimento da Cultura Viva no território. O encontro durou dois dias e se encerrou com um cotejo pela orla do rio Paraguai, marcado pela diversidade cultural e sincretismo religioso, com o entrelaçamento da imagem de Nossa Senhora de Urkupiña, trazida de Puerto Suarez, junto do grupo de dança boliviano Los Caporales, e os rituais de umbanda e candomblé num culto a Iemanjá, a rainha das águas, com oferendas de velas e flores na beira do rio. Nesse aspecto, os pontos culturais cumprem seus principais objetivos: a promoção do conhecimento, da tolerância, da alteridade e o congraçamento de povos, em nome da paz. Os integrantes do Brô MCs ainda moram nas aldeias Bororo e Jaguapiru, onde o grupo se formou há 16 anos, quase que engolidos por grandes fazendas monocultoras situadas no município de Dourados, em Mato Grosso do Sul, um dos estados com maior índice de mortes violentas de indígenas no Brasil. Os indígenas vivem em pequenos terrenos, encurralados pelo mar de fazendas do agronegócio que rodeiam a reserva Francisco Horta Barbosa, sobreposta às suas aldeias. Em suas músicas, cantadas em guarani e Kaiowá, os Brô’s entoam e denunciam as consequências do empobrecimento cíclico em que seu povo foi condicionado. Anunciam a luta e resistência através das retomadas. O movimento de retomadas das terras ancestrais por parte dos indígenas Guarani e Kaiowá está se fortalecendo nos últimos anos, e é uma forma que eles encontraram de reivindicar seus territórios que foram sendo espoliados. (Fonte: Instituto Socioambiental/Fotos: João Albuquerque/Dzawi Filmes /ISA e Nelson Urt/Navepress.

 







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