segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Patrimônio histórico vai sumindo, pedra a pedra


Casa de pedra com arquitetura secular em Ladário pode desaparecer
Nelson Urt
O que resta da casa de pedra fica na rua Dom Pedro II, área central de Ladário, coração do Pantanal do Mato Grosso do Sul. Uma casa sendo desmontada. Uma a uma, as pedras vão sendo retiradas das paredes e a casa vai sumindo, curvando-se aos que veem nela apenas mais um imóvel que atravanca o desenvolvimento. Em breve, quem sabe, teremos ali apenas um terreno, pronto para receber uma construção "moderna". Sim, trata-se de um imóvel do século passado ou do XIX, já que estamos falando de uma cidade de 240 anos, um povoado que a Coroa Portuguesa mandou criar em 1778 às margens do rio Paraguai, para defender e ampliar as fronteiras. Patrimônio histórico, dirão historiadores e arqueólogos, rica fonte de pesquisa para o estudo da formação arquitetônica do período colonial ou imperial. Mas aos poucos este pedaço da história vai indo abaixo até desaparecer da paisagem urbana da cidade. Turismólogos viriam nela um ponto de cultura para ser incluído em um roteiro turístico aos visitantes que aqui chegam, ávidos por relíquias do passado, se houvesse um projeto nesse sentido. Com um detalhe inusitado: a casa de pedra está encravada em uma árvore. Outros casarões seculares estão abandonados nessa área central que  pode e deve ser denominada como Centro Histórico de Ladário, e clama por tombamento e restauração. E que não confundam desenvolvimento com crescimento econômico. O desenvolvimento, quando sustentável e socialmente includente, está ligado às raízes da cultura, ao patrimônio histórico e a projetos sociais.

Um comentário:

  1. Estimado e admirado Amigo e Companheiro Nelson, obrigado e parabéns pelo oportuno artigo-denúncia. Permita-me compartilhá-lo no FB e em meu arremedo de blog. Vamos falar com algumas pessoas, como a estimada e incansável Wanessa Rodrigues, que está em gozo (merecido) de licença-maternidade, a querida e invejável Nathália Claro Moreira, o ponderado Augusto César Proença, e logo comecemos um movimento em favor da revitalização do acervo de nossa memória (viva) regional, inclusive arquitetônico...

    ResponderExcluir