Em palestra
sobre os 22 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no Espaço Sociocultural
(Cine Ladário), o juiz da Infância e Juventude de Campo Grande, dr. Roberto
Ferreira Filho, defendeu a persistência, a verdade e a honestidade como
principais armas de combate à exploração sexual e violência contra crianças e
adolescentes. E como mensagem final citou um poema do escritor português Sidónio
Muralha, aquele mesmo que se exilou no Paraná durante o salazarismo em
Portugal. Diz o poeta: "Parar. Parar não paro. Esquecer não esqueço.Se caráter custa caro, pago o preço. Pago embora seja raro. Mas homem não tem avesso; e o peso da pedra eu comparo, à força do arremesso. Um rio, só se for claro. Correr sim, mas sem
tropeço. Mas se tropeçar não paro não paro nem mereço.
E que ninguém me dê amparo; nem me pergunte se padeço. Não sou nem serei avaro;
se caráter custa caro, pago o preço”. A palestra
do juiz Roberto (que pode ser conferida, na integra, no site ladario.ms.gov.br)
foi o ponto alto do movimento ECA+22, que ainda teve em Ladário uma passeata
pela avenida 14 de Março e um Culto de Ação de Graças no Espaço Sociocultural.
Fica claro que a população ladarense fez sua escolha e não está disposta a
parar de lutar por uma sociedade do bem, com garantia de liberdade, paz e
segurança para suas famílias. Parar não paro. Esquecer não esqueço.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
sexta-feira, 15 de junho de 2012
LadáRio+20: Carta do Futuro

Fosse
a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável realizada em
minha cidade, chamaríamos de LADÁRIO+20. Distantes, mas no coração do Pantanal,
a maior planície alagável do mundo, Ladário, de 20 mil habitantes, sente-se bem
mais perto da natureza do que muitos outros povos urbanos. Por isso os
moradores estão conscientes de que devem preservar e conservar esse fantástico
bioma, reserva natural para as futuras gerações. Nesta semana de início das
negociações da Rio+20, Ladário recebeu a visita da Cia Teatro Maria Mole, que
tem a direção da atriz Bianca Machado e os atores Will Oniser, Carol Gomes e
Carlos Serrat. Eles apresentaram na Escola Municipal Marquês de Tamandaré, no
bairro Nova Aliança, a peça “Carta do
Futuro”, ação cultural que tem o patrocínio da Vale Mineradora. A peça trata da
preservação do meio ambiente e traça um paralelo entre a Eco 92 e a Rio+20. Engraçada,
mas com final comovente, quando um dos atores lê parte do discurso da estudante
canadense Severn Suzuki, de 12 anos, que emocionou a humanidade e passou a ser
conhecida como Carta do Futuro, lida na Eco-92, “Estou aqui para falar em nome
das gerações que estão por vir. Estou aqui para defender as crianças que passam
fome pelo mundo e cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome
das incontáveis espécies de animais que estão morrendo em todo o planeta,
porque já não têm mais aonde ir. Não podemos mais permanecer ignorados",
disse a canadense, há 20 anos. Hoje com 33 anos, Severn Suzuki continua
ativista pelo ambiente e educação. Dirige a Fundação David Suzuki, criada por
seu pai no Canadá para alertar sobre questões ambientais, como o aquecimento
global. Ela também é palestrante e em 2010 foi a personagem central do
documentário "Severn, a voz de nossas crianças", dirigido por
Jean-Paul Jaud.
domingo, 10 de junho de 2012
Pantanal Fest Gospel: a escolha da paz e da liberdade.
Perto da meia-noite deste frio sábado de outono, 9 de junho, em Ladário, ao acabar de assistir ao show da banda carioca Quatro por Um no palco da avenida 14 de Março, converso com o pastor Enoch Brito, da Missão Evangélica do Brasil, enquanto saboreio um acalentador sarravulho que saiu de um caldeirão fumegante da barraca de uma igreja evangélica, e pergunto a ele qual o segredo que faz da música gospel o novo estilo da moda. “É porque nela há sempre o testemunho de quem canta e se apresenta em público, de um milagre, de uma transformação pela palavra de Deus”, me responde o pastor. De fato, além da capacidade de contagiar o público, seja ele fiel ou agnóstico, evangélico ou não, shows como o Pantanal Fest Gospel, realizado em Ladário, tem o poder de multiplicar mensagens de paz e amor. É reconfortante, durante três noites, presenciar shows de música, dança e teatro ao ar livre sem observar um bate-boca, um empurrão sequer, perceber que predomina a liberdade, a livre expressão, a confraternização entre diferentes crenças religiosas e famílias ladarenses e corumbaenses. O iluminado Klev Soares, líder e vocalista da banda Quatro por Um (na foto), em um intervalo do seu rock eletrizante, diz: “Não estamos aqui pregando religião, estamos pregando a mensagem de Cristo”. Este é o foco do Fest Gospel. E Ladário fez a escolha certa ao realizar o evento que tem raízes evangélicas e prega a paz, o amor e o fim do consumo de drogas. Cada cidade tem a predestinação que lhe é reservada por Deus. Mato Grosso do Sul aprendeu uma lição. Há dez anos atrás, Aquidauana escolheu promover a Pantaneta, o carnaval fora de época, que com o passar do tempo tornou-se famosa não pelos shows de música, mas pelas cenas de bebedeira, sexo, orgia em vias públicas e até nas escadarias de igrejas, até que a população, indignada, pediu pelo seu fim. Serviu de lição para outras cidades. O mundo hoje anseia por eventos que traduzam a cultura, as virtudes e as raízes dos povos, e que preservam a moral, a segurança, a ética e a dignidade das pessoas.
terça-feira, 29 de maio de 2012
A vida não é uma droga
Saio do encerramento da Audiência
Pública de Enfrentamento e Combate ao Crack do Centro de Convenções do
Pantanal, dobro a primeira esquina, caminho até a orla do Porto Geral de
Corumbá e vejo este espetáculo da natureza que captei com minha Sony DSC H50, na
imagem ao lado. Pausa para reflexão antes de voltar para casa e sentar-me em
frente ao computador. Durante quatro horas, debateram-se lá dentro propostas que seriam
capazes de devolver aos dependentes de drogas a liberdade de ver e sentir um
mundo como este, simples, natural e ao mesmo tempo deslumbrante quando se tem
oportunidade de olhar para o céu num fim de tarde de outono em Corumbá. Como se
sabe, o crack, como qualquer outra droga moderna, escraviza, entorpece,
aniquila e, aos poucos, acaba matando. E pelas estatísticas seis milhões de
brasileiros estão hoje envolvidos com as drogas. E o que fazer para
devolver-lhes a liberdade de olhar um pôr do sol? Não encontrei respostas lá
dentro, mesmo porque os protagonistas dos debates ainda buscam luzes no fim do túnel, a dependência química ainda é um campo de pesquisa que está nas mãos de médicos
psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais. Existem várias correntes de
tratamento e todas foram colocadas em discussão, inclusive a mais radical, a
internação compulsória, com ação jurídica, mesmo contra a vontade do usuário de
droga. Indicado por uma linha de psiquiatras contra a internação, o filme
“Bicho de Sete Cabeças” nos mostra que, dependendo dos métodos, a internação pode
ser um buraco sem fundo para a família. Os deputados Paulo Duarte e Eduardo
Rocha, promotores do evento, percorreram o campo dos maus e bons exemplos,
lembrando que a regulamentação da publicidade e a campanha agressiva fez com
que o consumo de tabaco caísse de 36% para 16% em duas décadas no País. Rocha
chegou a propor ao cônsul da Bolívia, Juan Merida, que fizesse chegar ao
presidente Evo Morales um recado com proposta revolucionária: o Governo
brasileiro subsidiaria o plantio de soja, milho e feijão e em troca os
bolivianos deixariam de plantar a folha de coca. Obama já deve ter idéia semelhante,
mas é humanamente impossível convencer Evo Morales a erradicar uma cultura
milenar no seu país – mascar folha de coca, por lá, é como tomar cafezinho
aqui. O assistente social do Estado Ubiratan Borges foi até o fundo do baú e destacou
que o alcoolismo é uma doença registrada antes de Cristo, e para qual ainda não
se encontrou soluções, principalmente nos tempos modernos em que os fabricantes
de cervejas patrocinam a Seleção Brasileira de Futebol e o técnico Mano Menezes
e o ex-jogador Ronaldo Fenômeno aparecem em comerciais patrocinados por
cervejarias. A raiz da questão então estaria na publicidade? Pode-se deduzir
que, em parte, sim. Mas além do controle da publicidade deveria também haver um
combate mais centralizado ao tráfico de drogas e o incentivo a centros e
entidades de reabilitação. O trabalho mais arrojado nessa área é do Caps AD,
coordenado pela psicóloga Silvia Freire, a "Clínica de Rua", que manda sua equipe até as boca de
fumo oferecer ajuda, frutas, leite e medicamentos a usuários e traficantes. Isso
é efetivamente colocar o dedo na ferida. Tratar usuários de drogas apenas como zumbis que vagam pelas ruas é ignorar que dentro deles também caminha uma alma e um coração. E onde há vida, há espírito e esperança.
domingo, 20 de maio de 2012
Arte Mahikari, um novo modo de vida
No banco da Praça da Independência, em casa, no escritório, não importa. A Luz Divina pode ser aplicada em qualquer lugar, em ambiente suficientemente harmonioso, para que se tenha o mínimo de concentração. Uma vez por mês o Grupo de Expansão da Arte Mahikari sai de Campo Grande às 5h para retornar às 17h, dedicando essas 12 horas do sábado para a prática da Imposição da Mão e da transmissão dos Ensinamentos a iniciantes, leigos, religiosos, enfim, quem estiver disposto a receber a Luz e as mensagens em Corumbá e Ladário, a 420 quilômetros da Capital. E trazem um convite: os interessados em praticar a Arte Mahikari devem se inscrever no Seminário de três dias que é realizado mensalmente. Isso me faz lembrar dos dias maravilhosos em que prestei o Seminário Básico no Dojo de São Joaquim, no bairro japonês da Liberdade, no coração de São Paulo, em março de 1984. Após todos esses anos de prática, sinto que despertei para seguir os princípios divinos e acredito que seja útil na salvação do próximo. Foi me dada uma oportunidade de ouro, e eu a agarrei com convicção. Hoje posso afirmar que tudo o que tenho, tudo o que sou, tudo o que faço devo aos Ensinamentos da Arte Mahikari. Trata-se de um novo modo de vida, um novo olhar para o mundo. Por isso estou permanentemente convidando as pessoas a participar do Seminário em Campo Grande. Ensinamento recente diz: “O Salvador virá quando todos estiverem dormindo e baterá à porta. Se não estiverem despertos, não perceberão. O Salvador irá embora e o tempo passará. A maioria das pessoas hoje está dormindo profundamente e por isso não percebe a vinda de Deus”.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
O trem volta a cruzar Ladário
O apito do trem e o ronco das
locomotivas despertam no pantaneiro as doces lembranças do Trem do Pantanal.
Por isso nesta quinta-feira da Semana Santa os habitantes de Ladário, a Pérola
do Pantanal, a 420 km da capital Campo Grande, se alvoroçaram quando um comboio com quinze
vagões carregados de minério voltou a cortar os trilhos que cruzam o centro da
cidade. Fez uma viagem de ida e volta de Corumbá ao Porto de Cargas da Granel
em Ladário, de onde escoam as exportações para a Argentina. Era apenas um teste.
Recentemente a linha férrea foi restaurada pela concessionária responsável, com
troca de dormentes e trilhos. No teste, trabalharam chefes de operações e
maquinistas da ALL (América Latina Logística) do Brasil e da Ferrovia Oriental da
Bolívia. Em cada ponta do comboio havia uma locomotiva de cada país. Ponto para
a integração na fronteira e esperança para a volta do trem de cargas e
escoamento de minério pelo futuro Porto de Cargas de Ladário. E quem sabe em
breve a volta do trem de passageiros. Como todo o povo pantaneiro, o ladarense
também sonha com a volta do Trem do Pantanal. Sonho, aliás, que ficou pela
metade, quando o serviço foi reativado mas apenas no trecho Campo
Grande-Miranda, ficando devendo para o turista a paisagem de fato deslumbrante
do passeio, os 220 km até Ladário e Corumbá. Sentados, porque de pé cansa,
aguardamos na estação.
terça-feira, 27 de março de 2012
Seu Boneco, herança de Chico Anysio em Corumbá
Chico Anysio se foi e nos deixou uma
rica herança de mais de 100 personagens, entre eles Seu Boneco, um dos alunos
da Escolinha do Professor Raimundo. Era aquele sujeito pançudo, sempre de
bermuda e chinelos de dedo, touca feita de meia de seda cobrindo a cabeça, que
criou o bordão “eu vou pra galera”. Quem vivia o personagem era um dos oito
filhos de Chico, o ator Lug de Paula, que foi casado com a atriz e também
comediante Heloisa Périssé. Seu Boneco, Bozó, Pantaleão, Baiano, Coalhada,
Nazareno, qualquer que seja o personagem, haverá sempre alguém semelhante em
qualquer parte do País, porque Chico soube com genialidade retratar as características
do povo brasileiro. A herança de Chico também habita as ruas de Corumbá, na
figura de Seu Boneco, apelido que o lavador de carros Renê Vargas dos Santos
ganhou dos moradores do centro da cidade. Mas a vida do Seu Boneco corumbaense não
tem nada de comédia. É cercada de drama, dor e tristeza. Há 13 anos, ele foi um
dos 16 supostos mendigos que as autoridades mandaram colocar em um ônibus e
expulsar da cidade em um episódio que ganhou destaque internacional e mereceu
editorial da Folha de São Paulo com o título “O Tráfico da Miséria”. Os principais envolvidos foram indiciados por
“seqüestro e cárcere privado”. O caso, que abalou os alicerces e deu novos
rumos à política corumbaense, ocorreu durante a gestão do ex-prefeito Eder
Brambilla. “Quando viu todos amordaçados, amarrados, um sargento baixinho da
Polícia Rodoviária logo desconfiou que havia alguma coisa errada, mandou
prender todo mundo que levava o ônibus, até um major, e mandou a gente de volta
pra Corumbá”, contou-me Renê, durante entrevista ao Diário Corumbaense em março de
2008, que escolhi como título “O sobrevivente das ruas”. De Itapetininga,
interior de São Paulo, o ônibus dos “mendigos” retornou a Corumbá, onde hoje
Renê trabalha dignamente lavando carros. É o que faz desde que se mudou de Campo
Mourão, no interior do Paraná, onde deixou a família. Trabalhador solitário, Seu
Boneco nunca mais foi acusado de vadiagem e segue seu destino como sobrevivente
das ruas de Corumbá. Seria cômico se não fosse trágico – diria Nelson
Rodrigues.
Assinar:
Postagens (Atom)




