Em
um parque na cidade de de Cali, na Colômbia, ainda é possível encomendar
cartas de amor. É o que retrata o curta-metragem “Contrato de Amor”, da gaúcha Thais Fernandes, exibido na quinta edição do Festival do Júri Popular no auditório do Instituto Moinho Cultural. O conhecido Parque dos Poetas (foto) é o reduto de redatores que ainda trabalham à moda antiga,
tecendo seus textos com velhas máquinas de datilografar Olivetti, que para o resto da
humanidade teriam ficado obsoletas e hoje são peças de museus. Mas aqueles
teclados estridentes e seus inspirados escritores são capazes de produzir
frases encantadoras para os que buscam conquistar (ou reconquistar) a mulher (ou o homem)
amada. Em Corumbá, o poeta Benedito C.G.Lima lançou o Varal da Poesia, poemas
que qualquer um pode dependurar em praça pública, ideia que tem tudo a ver com o Parque dos Poetas da Colômbia. Poesias que podem se descortinar em qualquer
canto da cidade, como as que são escritas por Eliney Gaertner, que me revelou
seus originais durante um almoço no restaurante Panela Velha, no centro de
Corumbá. Selecionei uma de suas poesias, “Justo e Perfeito”, que aqui compartilho com os
navegantes: “Estamos no lugar onde devemos. Em quaisquer situações aprendendo;
em circunstâncias diversas da vida; nem mais, nem menos do que merecemos. Em
tudo há uma ordem perfeita; tudo está justo, nada em desatino. Seguimos por
caminhos diferentes, mas a vida nos leva a um só destino”. Sublime poesia. Eliney é pai da jornalista Livia Gaertner, talento fulgurante da equipe do Diário Corumbaense.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
2013: rejuvenescer como águias
O artigo “2013: coragem para se renovar”, escrito
por Leonardo Boff, teólogo, filósofo, escritor e membro da Comissão da Carta da
Terra, é um balsamo para começar o ano novo com esperança e, como ele pede,
coragem para enfrentar os desafios que vêm pela frente. Nele, para citar um
símbolo de renovação, Boff descreve um mito da antiga cultura mediterrânea sobre
o rejuvenescimento das águias. Ele diz: “De tempos em tempos, reza o mito, a
águia, como a fênix egípcia, se renova totalmente. Ela voa cada vez mais alto
até chegar perto do sol. Então as penas se incendeiam e ela toda começa a
arder. Quando chega a este ponto, ela se precipita do céu e se lança qual
flecha nas águas frias do lago. E o fogo se apaga. Mas através desta
experiência de fogo e de água, a velha águia rejuvenesce totalmente: volta a
ter penas novas, garras afiadas, olhos penetrantes e o vigor da juventude.
Seguramente este mito constitui o substrato cultural do salmo 103 quando diz:”O
Senhor faz com que minha juventude se renove como uma águia”. O texto completo
de Boff está disponível no canal Artigos deste blog. Boa leitura e Feliz 2013!
domingo, 18 de novembro de 2012
Um abraço no amigo Pantanal
De avião monomotor até o Porto São Pedro, de barco até a
divisa com Mato Grosso, como parte de uma expedição do Instituto Homem
Pantaneiro e do curso Estratégias para a Conservação da Natureza. É como dar um
grande abraço no amigo Pantanal, essa obra prima divina que o homem tem a
obrigação de preservar. Foram 500 quilômetros de uma viagem que começou com 32
minutos de vôo do monomotor pilotado pelo experiente Getúlio, de 70 anos, até o
Porto São Pedro, onde me deparo com a primeira cena curiosa: o bezerro
brincalhão criado como um bebê pelo dono, o fazendeiro Armando Lacerda. Como nasceu
doente, desde cedo o nelore Guachin, de 1 ano e dois meses, recebe atenção
especial. Domesticado, comporta-se tal qual o dono, como anfitrião da casa,
recebendo os visitantes com suas molhadas lambidas e o roçar da cabeça (sem
chifres) nas pessoas. Dois fotógrafos suíços que desembarcaram sexta-feira na
fazenda pareciam incrédulos ao ver Guachin saltar sobre o dono com as duas
patas – como um inofensivo poodle com uma tonelada a mais. “É assim que ele
brinca comigo”, conta Armando, mandando Guachin sair imediatamente para não
incomodar os hóspedes. E não é que ele entende?! Do Porto São Pedro partimos
para uma hora e doze minutos de lancha até o Parque Nacional do Pantanal, já em
Poconé, na divisa com Mato Grosso, uma área de 135 mil hectares que faz parte
do pacote de roteiro turístico da Copa do Mundo de Futebol de 2014, para
visitas embarcadas e monitoradas. Fica em um platô livre de enchentes à beira
do rio Cuiabá. Dali voltamos a pegar o rio Paraguai até o sítio do índio guató
Vicente da Silva, que após perder a mãe de 105 anos vive a sua quase solidão,
na companhia de seus três cães e mais de vinte gatos. Vicente se recusa a viver
na aldeia guató, a três horas de barco rio acima. Após um breve intervalo para
almoço no barco hotel Kalipso, partimos de lancha em seguida para o Porto
Jatobazinho, onde fica a escola rural da Rede Municipal administrada pelo Instituto
Acaia Pantanal, que acolhe 35 crianças ribeirinhas e deve dobrar esse número em
2013. Trata-se de um projeto sócio-educacional de alto nível, uma ilha de conhecimento,
com videoteca, projetos culturais e agrícolas para as crianças, no meio do
Pantanal. Ali quem nos recebe é a coordenadora Dilma Castro Costa, as
professoras Selma Almeida e Francisca Oliveira. No dia anterior as crianças
haviam sido surpreendidas com um belo presente: os 34 militares ambientais do Curso
Estratégias para Conservação da Natureza, pelo Instituto Homem Pantaneiro e
Polícia Militar Ambiental, com elas cantaram o hino e hastearam a bandeira nacional.
Militares ambientais de todos os estados brasileiros percorreram este e outros
pontos estratégicos, ouviram palestras de especialistas, conviveram com o bioma
e também se apaixonaram pelo Pantanal. Estas são apenas partículas dos
mistérios, das magias e dos personagens que o Pantanal abriga em sua
grandiosidade, reclamando do ser humano proteção, atenção, aliança e respeito.
Por isso nossa viagem não termina aqui – ela está apenas começando, para que
cada vez mais possam entender que o Pantanal não sobrevive sem o homem pantaneiro,
e vice-versa.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
As 200 fotos de Boaventura
Na
Exposição Foto Memória Corumbá 2005-2012 – Transição para o Século XXI, o repórter-fotográfico Marcos Boaventura reúne 200 imagens de um acervo de 68 mil fotos que
produziu ao longo dos oito anos da administração do prefeito Ruiter Cunha em
Corumbá, entre elas uma roda de quebra-torto que reune Paulo Duarte, Zeca do PT, Ruiter e Helô Urt. Boaventura integra a equipe da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Corumbá e, nesta
mostra, conta por meio de imagens momentos decisivos dos dois
mandatos que mudaram o cenário da cidade, que trocou o marasmo pela
prosperidade cultural e econômica. Além de tudo, Boaventura dá uma lição de
como uma assessoria eficiente consegue transportar até a população, por meio de
fotografias, as realizações de uma gestão. Boaventura, é bom que se diga,
trabalha com a alma de um profissional e o coração de um apaixonado por
Corumbá, e dessa união surge uma estrela que brilha deste os anos
80 na comunicação. A exposição está aberta no Centro de Convenções do Pantanal
Miguel Gómez, no Porto Geral de Corumbá.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
A Arte da vida saudável e da salvação
A palestra “A Arte Mahikari, os
Princípios Divinos e suas influências”, com Nelson Teruya Dojotyo, dirigente da
Sukyo Mahikari em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, atraiu mais de 40 pessoas à
Associação Comercial e Empresarial de Corumbá, sábado, 20 de outubro. Nela, o
palestrante explicou a origem da Arte Mahikari, seus fundamentos, os princípios
divinos, a prática e seus efeitos. Nesta palestra, Teruya Dojotyo nos mostra que, crendo ou não na força de Deus, sendo católico, evangélico,
budista ou islâmico, não importa, os Princípios Divinos são iguais para todos, assim como os
fenômenos da natureza como o pôr do sol, os dias, as noites e as estações. Os
Princípios Divinos fazem parte da intensa vibração cósmica do universo, e a
Arte Mahikari nos ensina como segui-los, interpretá-los e agregá-los ao dia a dia, para tornar a nossa
vida saudável e próspera, digna e bela. Pratico a Arte Mahikari há 28 anos e como dirigente de uma subsede em
Corumbá (rua 13 de Junho, 1380, fone 8131-6689), fui um dos organizadores desse memorável e histórico encontro que abriu cinco vagas a corumbaenses e ladarenses para o Seminário Básico
marcado para final de novembro em Campo Grande. Além de tudo, Mahikari é a arte
da salvação, por meio da imposição da mão. Se você já pensou em salvar alguém, aproveite essa oportunidade e também seja um integrante.
.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
As 97 primaveras de Alicio
No mês de aniversário de Ladário, que completou 234 anos de fundação em 2 de setembro, o ladarense Alicio Peçanha tem direito a uma comemoração pessoal. No dia 22 de setembro, exatamente quando se abrem as portas da Primavera de 2012, ele faz 97 anos. Ex-motorista e ex-minerador da antiga siderurgia de Ladário, ele hoje é um dos exemplos de vida longa e saudável, já bem perto de chegar ao seu centenário de nascimento. É um dos presidentes de honra da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Pessoas Idosas de Ladário (AAPPIL), da qual já foi presidente, e integra os grupos Conviver e De Bem com a Vida. “Trabalho não mata ninguém; eu trabalhava doze horas seguidas na usina de ferro gusa”, acentua Alicio. Lúcido, falante, caminhando de um lado para outro com o apoio de sua bengala, Alicio só não se arrisca mais nos passos de dança de salão. “Gostava de dançar e jogar futebol, mas hoje as dores do joelho direito não deixam e, como tudo é jogo, me satisfaço com o dominó e o jogo de damas”, conta. Alicio nasceu em Ladário em 1915, e do casamento com Ovilda Conceição nasceram oito filhos, dos quais sete mulheres, e 26 netos. Acompanhou o crescimento da cidade e seu salto populacional, dos 5 mil até chegar aos 20 mil de hoje. “A mineração e a Marinha continuam fazendo parte do nosso desenvolvimento”, constata. Nos grupos Conviver e De Bem com a Vida, mantidos pela Prefeitura, ele nutre suas amizades, conta e ouve velhas históricas de Ladário, o que em parte ajuda a afastar a saudade da esposa, que faleceu no ano passado, após 70 anos de casamento. “Tenho a sensação que ela está bem ao meu lado quando vou sair de casa; até parece que me diz: não quer ajuda pra abrir a porta?”, revela, olhos marejados em direção ao horizonte.
domingo, 9 de setembro de 2012
A fanfarra faz amigos
Se você, professora, tiver um aluno
problema no canto da sala, com notas baixas e comportamento arredio, convide-o
para tocar na fanfarra. É uma atitude inteligente para a solução. A fanfarra
integra, socializa, humaniza, faz com que o estudante se sinta parte do grupo,
útil e importante. Se antes as fanfarras se limitavam a seguir em ritmo das
marchas militares, hoje possuem corpo musical e coreografia, dançam no ritmo de
Michael Jackson, do Olodum, do Afro reggae. No começo dos anos 70, quando troquei
o Grupo Escolar de Ladário para iniciar o ensino médio na Escola Estadual Maria
Leite de Corumbá, me senti um estranho no ninho. Mas aquela terrível sensação
de isolamento repentinamente acabou assim que Alexandrino dos Santos, o Mala, convidou-me
para ingressar na fanfarra do Maria Leite. Ganhei uma nova família, passei a me
sentir em casa e chorei quando tive de abrir mão deste mundo encantado para
fazer jornalismo em São Paulo. Hoje sou testemunha de que fanfarra é uma porta
aberta para a inclusão social, a arte, a cultura e a vida. É um prazer ver em
ação uma fanfarra como a Pérola do Pantanal (na foto), que integra toda a comunidade
estudantil de Ladário e, como um coração de mãe, sempre acolhe mais um. Torço
para que o Festival de Fanfarras promovido neste 7 de Setembro em Ladário seja
a semente para muitos outros festivais. E para que um lugar na fanfarra não
seja reservado apenas como prêmio aos que se destacam em salas de aula, mas
principalmente aos estranhos no ninho. Afinal, a fanfarra faz amigos.Que o diga Alexandrino, que se tornou o chargista Malah. Meu amigo Malah.
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