terça-feira, 8 de agosto de 2017

Oficina de jornalismo amplia conhecimento de estudantes da Marquês

Nelson Urt

Os primeiros passos para a elaboração do Marco, o jornal da Marquês, foram dados neste dia 8 de agosto, que não é o mês do desgosto, mas de fazermos com que os jovens tomem gosto pelo conhecimento e a comunicação. Coordenei uma oficina de jornalismo voltada para estudantes do ensino fundamental da Escola Municipal Marquês de Tamandaré, como parte do Projeto Aliança Tamandaré, encabeçado pelos professores e pela direção da escola situada no bairro Nova Aliança, em Ladário.
Cercado por jovens com imenso interesse em descobrir segredos da imprensa, mergulhamos na história para trazer de volta o alemão Hermann Gutemberg, que em 1430 desenvolve a impressão com tipos móveis de metal, revoluciona o conhecimento científico, as artes e a religião, com um papel decisivo na Reforma Protestante.
As bíblias traduzidas do latim para o alemão revigoram o movimento contra o monopólio da Igreja Católica no momento em que florescia o Renascimento e os ideais de liberdade individual e da crença no poder da razão.
Os primeiros jornais começam a circular em 1606 na Bélgica e em 1609 na Alemanha. No Brasil os pioneiros são o Correio Braziliense, ainda em circulação, e a Gazeta do Rio de Janeiro a partir de 1808.
Viajamos de retorno ao presente até chegarmos ao ponto em que cada bairro, faculdade, cada escola cria o seu próprio jornal, para melhor interagir com a comunidade e com a sociedade como todo. É o caminho que pretende percorrer o Marco, o jornal da Marquês, como incentivo para que cada estudante seja protagonista da história da cidade e da sua região, ao mesmo tempo em que desperta seu interesse pela leitura e pela redação.
Além de jornalismo, o  Projeto Aliança Tamandaré traz para os estudantes oficinas de teatro, de música, de libras, reforçando o currículo escolar e contribuindo para o aprendizado e o desenvolvimento do aluno. Esta, de fato, é uma ótima notícia para a educação.







domingo, 4 de junho de 2017

Criminalizados, nossos jovens estão morrendo à bala

Grafite em muro de uma escola da rede pública em Ladário-MS, de 2017
Nelson Urt

Por muito tempo tentaram convencer a população que o Brasil é um país cordial, acolhedor, solidário, com igualdade racial e onde prevalece a cultura da paz. É hora de rever esses conceitos. A imagem do país do futebol, da mulata e do carnaval que por muito tempo as elites dominantes venderam para o exterior como forma de atrair turistas e seus dólares é um processo em desconstrução. Não tem mais como dissimular.
A máscara caiu, fazia parte de uma fantasia, criada pelo Estado para construir um modelo de Nação do novo mundo por meio de uma história alienante. "Dessa forma, a história pode adquirir um caráter de fuga, ao invés de caráter integrador" (Pinsky, 1992). 
Até mesmo a ideia de “país da juventude” tentaram emplacar como forma de transmitir uma dádiva que, na prática, nunca tivemos, ou seja, o respeito aos jovens, independentemente de sua classe social, de sua cor, de sua religião.
Outro slogan famoso que tentaram nos meter goela abaixo é de que moramos no “país do futuro”. Este é um artifício raso de virar as costas aos problemas do presente e vislumbrar somente o abstrato, o que ainda virá pela frente, tratando a vida como uma ideia, nunca como realidade.
Olhando para o presente, vemos um quadro estarrecedor para nossos jovens. Eles estão literalmente morrendo à bala. Que país é este? Do futuro? Da juventude? Um país onde por ano morrem mais de 25 mil jovens na faixa etária entre 15 e 29 anos de idade por homicídio com arma de fogo. Mais exatamente 25.255, conforme nos revela o Mapa da Violência 2016 divulgado recentemente pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (veja matéria completa no site www.navepress.com.br)
Os números do Mapa da Violência refletem a herança de 20 anos de ditadura e uma sequência de governos e desgovernos corruptos, o uso indevido das verbas públicas e a ausência de uma verdadeira política que fortaleça a educação. A tentativa de reduzir os índices de pobreza, de elevar o poder de acesso à educação e cultura, de tornar protagonistas as classes desfavorecidas, foi ceifada por mais um golpe.
Longe de usar os índices apenas como munição barata para tripudiar a imagem do país, o que me interessa é levar nossos jovens à reflexão sobre como chegamos ao ponto de nos tornarmos o décimo país mais violento do mundo quando se trata de homicídios com arma de fogo, enquanto nossos políticos e economistas, capitalistas, insistem em bater na tecla de que somos uma potência emergente, democrática, navegando nas águas do neoliberalismo global.
Quem retrucar a esses números e apontar as favelas e os traficantes que tomam conta dos morros do Rio de Janeiro como causadores de tão volumosos índices vai perder tempo. A culpa não é do Rio, nem de São Paulo, nem das grades metrópoles. Muito pelo contrário: com a taxa de 21,5 mortes por cada 100 mil habitantes, o Rio de Janeiro é apenas o 15º Estado em homicídios por arma de fogo no país. E São Paulo, que pode ser considerada um caldeirão, possui hoje taxa de 8,2 e está entre as quatro menos violentas da lista.
Os Estados de maior violência homicida são, pela ordem, Alagoas, Ceará e Sergipe. Estados pobres. A capital mais violenta nesses quesitos no pais é Fortaleza. E a cidade com maior número de vítimas por homicídios à bala é Mata de São João, na Bahia.
O Brasil vive uma epidemia de homicídios por arma de fogo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Por quê? É preciso responder por quê? Concentração de renda, desigualdade social, desemprego, apenas para citar o básico. Mas especificamente com relação à juventude, há uma onda de criminalização do jovem. Para ser mais exato, o jovem negro e pobre. Ser pobre e negro hoje no Brasil metido a nobre, branco e rico é um castigo muito pesado. Para esses, o “país da juventude” fica em outro lugar do planeta, menos aqui.
Os números do Mapa da Violência são claros ao apontar que morrem 2,6 vezes mais negros do que brancos em homicídios com arma de fogo.
Em violência homicida por arma de fogo o Brasil teve 44.861 mortes em 2014 e ocupa pior situação que os vizinhos Argentina, Chile, Peru e Bolívia. E também perde para Cuba, que possui os mesmos índices de países europeus como França, Noruega, Suécia: apenas 0,2 mortes por cada 100 mil habitantes. 
Não era para Cuba que deveriam rumar os brasileiros descontentes, com ideias socialistas? Pois é, pelo menos na ilha, “pobre, comunista e decadente”, jovens negros não são criminalizados. E muitos estão se tornando médicos.
No "livre e democrático" Brasil, os homicídios à bala fazem 123 vítimas por dia, cinco a cada hora, e assim supera países europeus onde frequentemente ocorrem chacinas, atentados e guerras civis.
Experimentamos nosso próprio veneno. O Brasil é o quarto maior exportador de armas de fogo no mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Itália e Alemanha. Portanto, uma potência internacional nesse quesito. Trocaríamos esse status por mais educação.
Vivemos, de fato, em um país militarizado, onde forças armadas agora são enviadas às ruas para deter manifestações populares e onde a polícia recebe ordens para invadir moradias da periferia em busca de criminosos, enquanto balas perdidas, ou com endereço certo, tiram a vida de trabalhadores, estudantes, crianças. E a vítima é quase sempre é a mesma: o brasileiro jovem, pobre e negro.
Chegamos a um ponto em que precisamos rever conceitos e reescrever a nossa história com um profundo processo de mudanças sociais. O país que temos não é o país que queremos. Chega de fantasia, de decretos megalomaníacos, de malversação dos recursos públicos, de boicote à educação dos nossos jovens.

REFERÊNCIAS
PINSKY, Jaime, p.18, 1992, O Ensino de História e a criação do fato, Editora Contexto

Leia mais a respeito em: http://www.navepress.com.br/VIOLENCIA.php


segunda-feira, 15 de maio de 2017

E nossas conquistas sociais vão para o ralo


Neste 15 de maio chuvoso em Ladário, nas barrancas do rio Paraguai, sul do Pantanal, fronteira com a Bolívia, recebo as congratulações pelos 63 anos de idade, aos quais incluo 45 de jornalismo e 38 de casamento, três filhos. Incentivos pessoais para comemorar são muitos, pela saúde sem pressão alta, os amigos que enviam mensagens via face de pontos distantes do País,  a vida imperturbável da bucólica Ladário. Fecho a noite com uma aula de Educação Especial ao lado dos colegas do curso de História na UFMS e, em casa, um bolo de aniversário entre família. A saúde vai bem, mas há um coração entristecido diante deste medonho momento político do País, que vive um penoso processo de desconstrução de suas conquistas sociais e democráticas, vitimado por algozes do sistema chamado de neoliberalismo. Sistema com a benção de uma grande ala da imprensa que se rendeu ao mercantilismo, ou seja, quem manda é o capital e os interesses de mercado do empresário da comunicação. Imprensa chapa branca, como diziam na época em que o Estadão era reconhecido como o paladino da democracia e o regime militar torturava jornalistas supostamente de esquerda e “caçava” comunistas. Hoje os tempos são outros. Vigora uma democracia disfarçada que tortura o trabalhador. Nunca se plantou tanta notícia, nunca se forjou tanta opinião, nunca houve tanto prejulgamento na história das comunicações como nesta segunda década do século XXI. Aos neoliberais de direita vale tudo para varrer do mapa petistas, simpatizantes ou qualquer outra corrente que lute pelas causas sociais do trabalhador, do homem do campo, do indígena, do quilombola, do homem sem emprego, do pobre. Após o golpe, o Estado desmantela conquistas que o País conservava desde o governo trabalhista de Vargas, remodeladas e revigoradas pelos governos petistas. Direitos da Previdência, Base Nacional Curricular da Educação (leia-se Ciências Humanas), direitos indígenas, direitos dos trabalhadores, direitos civis estão indo literalmente para o ralo. Como cidadão, não tenho motivos para comemorar este 15 de maio pós-dia das mães. O que vejo é uma Nação de luto, gente que se veste de preto e vai para as ruas se manifestar e exigir a manutenção de suas conquistas e direitos civis, e contra a criminalização dos movimentos sociais, enquanto é repelida com bombas de gás. Ou, como fazem os indígenas, pintados para a guerra. Preocupante ainda é ver que uma legião de trabalhadores pobres compactua, ingenuamente, com este jogo orquestrado para fortalecer as elites, os donos do poder. Trabalhadores pobres de direita, que reproduzem o discurso simplista das classes dominantes, de que tudo está errado e deve mudar para acabar com a com a corrupção. Encerro com as palavras da historiadora e ativista britânica Mary Beard: “O sucesso dos ricos era uma dádiva concedida pelos pobres”, diz, referindo-se à Roma antiga, tentando por analogismo compreender o comportamento do homem moderno. Pois esta é a máxima que norteia o neoliberal Brasil de hoje. Uma pena. O neoliberalismo ajuda a tirar o que temos e o que não temos. Não somos o Reino Unido. (Leia reportagens no site www.navepress.com.br





terça-feira, 2 de maio de 2017

Candidatos a diretor debatem carências do Campus Pantanal

Momento político histórico no Campus Pantanal da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Mais de quinhentos acadêmicos de todos os cursos lotaram o anfiteatro Salomão Baruki na noite desta terça, 2 de maio, para acompanhar o debate entre os quatro candidatos a diretor do campus, os professores Aguinaldo Silva (Geografia), Jorge de Souza Pinto  (Ciências Contábeis), Marcelo Dias (Matemática) e Waldson Diniz (História). Eles disputam os votos de professores, técnicos administrativos e alunos na eleição deste dia 4 de maio. Debate que transcorreu em alto nível, com respeito e espírito democrático, cada candidato preocupado em mostrar suas propostas para a melhoria do CPAN, missão nada fácil nesses tempos de regime de exceção e estrangulamento da Constituinte Cidadã. 

A crescente evasão de alunos (350 dos matriculados desistiram ou migraram para outros centros), as deficiências na infraestrutura (o Bloco C da unidade 1, recém construído, foi interditado) e a falta de uma discussão política que aumente a representatividade do Campus Pantanal diante da reitoria da Capital foram os pontos mais relevantes tocados pelos candidatos. Outro ponto muito criticado foi a desigualdade do sistema eleitoral, hierarquizante e burocrático, que dá aos votos de estudantes e técnicos apenas o peso 15% na proporção com os votos dos professores, com peso 70%. (Atualizado para correção em 03/05, 08h47)




quarta-feira, 19 de abril de 2017

O adeus de Benedita, a guerreira do Taquari


Benedita ao lado de Jane Contu, ex-secretária de Assistência Social
Benedita não quis esperar pela festa dos seus 95 anos, dia 11 de maio, véspera do dia das mães. Decidiu partir mais cedo. A missão estava cumprida. A mulher que nasceu no Pantanal do Taquari já havia se transformado na supermãe, na avó, na bisavó. Formou uma pequena legião de descendentes: cinco filhos, três netos, quatro bisnetos.
 Era conhecida como a idosa mais velha da Aappil (Associação dos Aposentados e Pessoas Idosas de Ladário), mas também por seu jeito extrovertido, alegria que irradiava nos salões de baile de todas as sextas-feiras na associação.
No adeus de Benedita Alves de Lima, aos 94 anos, nesta terça-feira, 18 de abril, em Ladário, estavam presentes todos os amigos, colegas e familiares, as filhas Jorgina, Jorgelina, Selice, Juventina e o filho Jorge.
Benedita só parou mesmo de frequentar o almoço dançante das sextas-feiras na Aappil porque teve uma queda e fraturou o braço, e os cuidados da família sobre ela redobraram, ultimamente se dedicava às sessões de fisioterapia e ao tratamento médico. O estado de saúde dela se agravou nas últimas semanas: os médicos constataram um tumor. Ela faleceu na tarde desta terça.
Devota de Santo Antônio, Benedita frequentava as missas e eventos da comunidade. Gostava de se sentar ao portão da casa, no bairro Santo Antônio, em Ladário, para apreciar o movimento na rua Afonso Pena.
“Foi uma guerreira que tomou conta e educou todos os filhos, principalmente depois que ficou viúva: papai teve enfarto aos 51 anos”, contou uma das filhas, Jorgina. “Nos ensinou a trabalhar na roça, valorizar o que é nosso, nos ensinou como educar nossos filhos”. Enfim, Benedita foi uma brava guerreira do Pantanal que soube valorizar cada minuto da vida. E deixou seu legado.







sexta-feira, 31 de março de 2017

Erasmus Mundus, o desafio de um planeta sustentável

Equipe de mestrandos visitou o Moinho Cultural neste final de março
Eles vêm de diferentes pontos do mundo em busca de intercâmbio e aprendizado. Estudam para ser mestres, especialistas em sustentabilidade, uma palavra que hoje em dia expõe o ser humano a enormes desafios. Afinal, como se discutir e defender sustentabilidade em um planeta poluído, à beira de um colapso, com centenas de desastres ecológicos pipocando nos continentes. Mas assim é o ser humano, nunca desiste, em busca de seus projetos de vida. Com a palavra, Caterina, Janine, Dao Thu, Felipe e Vicent.
O Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, pelo quinto ano, recebeu a visita de intercâmbio dos alunos do último semestre da quinta turma do Programa Erasmus Mundus – Mestrado Internacional em Desenvolvimento Territorial Sustentável, em parceria com o programa de pós-graduação em Desenvolvimento Local em Biotecnologia – Mestrado e Doutorado da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), neste dia 27 de março.
O programa é promovido no Brasil pela UCDB em consórcio com três universidades europeias: Universidade Pantheon-Sorbonne Paris 1 (França), Universidade de Estudos de Pádua (Itália) e Universidade de Louvain (Bélgica). Os mestrandos cursaram os três primeiros semestres na Europa e agora iniciam estágio de seis meses no Brasil para o trabalho de conclusão de curso.
Eles vieram acompanhados pela assessora de Relações Internacionais da UCDB e diretora acadêmica do Master Erasmus Mundus, Cleonice Alexandre Le Bourlegat, e pela doutora Dolores Pereira Ribeiro Coutinho, docente e pesquisadora do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Local da UCDB. Foram recepcionados pela diretora executiva do Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, Márcia Rolon. “É muito importante essa troca de experiências e a oportunidade de conhecerem o trabalho do Moinho, que tem como base a arte que transforma vidas”, destacou Márcia. “Cada vez que venho sinto algo diferente e especial”, contou o secretário do programa de Mestrado e Doutorado da UCDB, Renato Diacopolus.
No Moinho, os mestrandos assistiram a uma apresentação especial dos bailarinos da Companhia de Dança do Pantanal, que acaba de ser criada pelo Moinho como forma de abrir espaço para dançarinos de toda a comunidade. Citados como exemplos de transformação, ex-beneficiários do Moinho agora compõem a Cia da Dança ou se tornaram professores do instituto e de outras instituições de Corumbá, Ladário e na Bolívia.
Cinco mestrandos do Erasmus Mundus compõem o grupo que visitou o Moinho: Caterina Dada (Itália), Janine Alisha Gölz (Alemanha), Dao Thu Trang (Vietnã), Felipe Thornberry Giraldo (Colômbia) e Vicent Vasseur (Bélgica). Suas pesquisas e dissertações abrangem as áreas de ciência lingüística, gestão internacional, arquitetura, ciências sociais e engenharia comercial. Também participa do intercâmbio Miguel Mendoza, acadêmico de Letras da Universidade Silva Henriquez do Chile, bolsista na UCDB.
Pesquisas
 “Minha pesquisa é na área de resíduos sólidos, venho ao Brasil pela primeira vez e percebo extremos: gente muito conectada com a natureza mas uma grande agricultura industrial e produção de carne”, ressaltou a alemã Janine Golz, de 25 anos. “A diversidade me encanta, o Brasil parece ter vários países dentro de um”, afirmou a vietnamita Dao Trang, que como todos os demais tem fluência em francês e inglês (uma exigência do curso), e se esforçou para entender o português de uma pequena integrante do Moinho durante o lanche.
O Moinho mantém 280 beneficiários em aulas de música, dança, apoio escolar, educação ambiental, cidadania e tecnologia no contraturno escolar e conta com o patrocínio máster da Vale, patrocínio da Cielo, parceria da J.Macedo e tem como parceiros institucionais a Prefeitura de Corumbá, Prefeitura de Ladário e a Prefeitura de Puerto Suarez (Bolívia).
Projetos do IHP
Na mesma tarde, os mestrandos visitaram a Casa Vasquez, sede do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), integrante da Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar. No IHP, ficaram conhecendo seus principais projetos e programas: o Curso de Estratégia para a Conservação da Natureza, a Plataforma de Diálogo e a Plataforma GeoPantanal.

terça-feira, 7 de março de 2017

MPF aciona ALL, IPHAN e DNIT por degradação da ferrovia


Antes e depois: estação privatizada e abandonada em MS
Um patrimônio em ruínas, resultado da falta de respeito com o patrimônio histórico e cultural de Mato Grosso do  Sul. O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF) ajuizou ação civil pública contra a empresa América Latina Logística (ALL) pelo abandono de 14 estações ferroviárias localizadas entre os municípios de Três Lagoas e Água Clara. Os prédios, construídos no início do século XX e tombados por lei estadual como patrimônio histórico e cultural, estão em estágio avançado de degradação pelo efeito do tempo e da ação humana.

Este é o resultado da negligência quando se trata de má administração de um bem público que cai nas mãos de empresas privadas. Coincidentemente, a ferrovia foi relegada ao abandono no período de maior desenvolvimento da indústria automobilística e a pavimentação das rodovias estaduais, entre elas a BR-262, que liga Corumbá a Campo Grande. Este trecho também foi abandonado pela ALL. Querem provas? Basta dar um passeio pela esplanada ferroviária de Corumbá. E o Trem do Pantanal virou lenda.

Na ação ajuizada, o MPF busca medidas efetivas para a conservação do bem público, reparação dos danos causados ao patrimônio histórico e cultural e preservação da memória da ferrovia em Mato Grosso do Sul. Na visão da instituição, “não cuidar desses bens é relegar as próprias origens dos municípios e desprezar a história do desenvolvimento do Bolsão sul-mato-grossense, importante região do Estado”.

Na demanda do MPF, além da ALL Malha Oeste e ALL Holding (controladora da ALLMO), são réus: o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (DNIT), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a União. Os órgãos e instituições foram considerados, pelo Ministério Público, inertes e negligentes na fiscalização do patrimônio ferroviário.

À Justiça Federal, o MPF pediu, liminarmente, que a ALL, concessionária dos serviços de ferrovia no estado, seja obrigada a efetuar a limpeza e a dedetização das estações ferroviárias e oficinas que estão sob seus cuidados; adote medidas de conservação e vigilância em tempo integral; repare os danos causados ao patrimônio público e devolva ao DNIT as unidades ferroviárias que não estiverem sendo efetivamente utilizadas.



História da ferrovia



A história da ferrovia em Mato Grosso do Sul se mescla com a história da constituição do Estado. Não por acaso, várias estações ferroviárias foram tombadas pela Lei estadual nº 1.735/97 como patrimônio histórico e cultural. Construída no início década de 20, a ferrovia carrega a história do desenvolvimento político, social e econômico do Bolsão sul-mato-grossense.

Nos anos 90, com a privatização da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA), a exploração do transporte ferroviário de cargas foi repassada, por meio de contratos de concessão, a empresas particulares. Em MS, o serviço foi concedido a Ferrovias Novoeste, hoje América Latina Logística Malha Oeste (ALLMO).

Com essa nova configuração, os bens da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil – de propriedade da União e tutelado pelo DNIT - foram arrendados para a ALL, a qual tem o dever contratual de cuidá-los. O que se tem visto, no entanto, é o abandono do patrimônio público.