terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Banda leva a polca rock ao Campus Pantanal

Rodrigo Sater, Guga Borba, Jerry e Leandro no Campus Pantanal
Nelson Urt

No show que marca os 40 anos de criação de Mato Grosso do Sul,  a banda Clube do Litoral Central levou nesta terça, 12 de dezembro, para a unidade 2 do Campus Pantanal (CPAN) da UFMS, em uma hora, uma seleção de suas melhores canções e apresentou para a nova geração a polca rock. Como diz o nome, um mix da frenética polca paraguaia com os acordes das guitarras do rock. Para quem gosta de boa música, um show completo, de raízes, que reune as principais vertentes da música de Mato Grosso do Sul. A banda abriu a apresentação com Vida Cigana (de Geraldo Espíndola) e encerrou com Polca Outra Vez, composição de Geraldo Roca que recebeu novo arranjo do grupo.
Ju Souc: baterista e vocal
O Clube do Litoral Central trouxe a Corumbá Rodrigo Sater, Ju Souc, Jerry Espindola, Guga Borba, Leandro Perez e Rodrigo Teixeira. Um dos destaques é a vocal e baterista Juliana de Souza Conceição ou simplesmente Ju Souc, revelação da música regional. Rodrigo Teixeira e Jerry Espíndola integram o grupo Hermanos Irmãos (ao lado de Márcio de Camilo).
Escritor e pesquisador, mestre em Comunicação pela UFMS, Rodrigo Teixeira lançou recentemente o livro Prata da Casa, um panorama histórico sobre os pioneiros da música de MS, pela Editora UFMS, à venda na Casa do Artesão de Campo Grande.
O show é resultado da parceria do Governo do Estado e o projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Excelente iniciativa para incrementar o calendário cultural de Corumbá, ainda carente de bandas que possam formar uma plateia habituada a ouvir o som das raízes da música regional. A sugestão é para que o show se repita na semana de calouros de 2018 no anfiteatro Salomão Baruki. (fotos: Navepress).

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Alaaa guri vôti!: comédia com sotaque corumbaense

Elenco da peça encenada na Unidade III da UFMS: vitoriosos
Nelson Urt

Na caliente noite corumbaense em que 45 poetas da cidade lançavam no Sesc uma coletânea de poesias em um livro de 256 páginas, enquanto a TV mostrava a decisão da Copa Libertadores entre os gaúchos do Grêmio contra os argentinos do Lanus, os acadêmicos do 6º Semestre do Campus Pantanal da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) deram um banho de bola e também sentiram o sabor da vitória. Naquele mesmo momento, o desafio deles foi apresentar a peça "Alaaa Guri Vôti!" dentro da disciplina de Prática de Ensino de História, sob a batuta do professor Waldson Diniz. E assim como o poeta Benedito C.G.Lima, organizador da mostra dos escritores de Corumbá, e do treinador Renato Gaúcho, coroado campeão da Libertadores na Argentina, os bravos atores amadores da História deram conta do recado e souberam fazer a lição de casa. 
O resultado é que a plateia, que quase lotou o auditório da UFMS no Porto Geral, gargalhou do começo ao fim com as piadas e tiradas encenadas por Fernanda, Júlio, Rutineia, Karina, Atiene, Cleves, Dorival, Fernando, Daniele, Rebeca, Adriane e Sara. A tenda da mãe de santo que benze e prevê o futuro jogando búzios, os aposentados jogadores de baralho da praça, o bate-boca sobre a política municipal, a estudante que procura emprego, as fofoqueiras de plantão,  a comerciante boliviana da feirinha, a mãe que vê no casamento com militar uma carreira promissora para a filha, ninguém escapa na peça. O espetáculo retrata com fino bom humor, criatividade e fortes traços de caricatura o modo de vida do homem e da mulher de Corumbá e Ladário. "Alaa guri vôti!" transforma os traços culturais e o jeito de ser corumbaense e ladarense em uma saborosa comédia em cinco atos. Parabéns aos futuros professores de História, da arte e da vida!

sábado, 25 de novembro de 2017

Frei Mariano, o livro: de Corumbá para o País

Peninha e o livro ilustrado sobre a vida de Frei Mariano (Navepress)
Nelson Urt

O livro "Um altar para as valorosas sandálias de Frei Mariano de Bagnaia", da escritora e artista plástica Marlene Mourão, a Peninha, lançado neste dia 23 de novembro no Sesc Corumbá, já está à venda, por R$ 15, em pontos especiais da Cidade Branca. A obra pode ser adquirida na rua 13 de junho, 1460, apt 06, Vila Dedé, entre 7 de Setembro e Major Gama, diretamente com a escritora. Ou no Restaurante Rodeio,na rua 13 de Junho. Em breve o livro será distribuído nas livrarias de Campo Grande pela Editora Life. Os mil exemplares da obra contaram com recursos do Fundo de Investimentos Culturais do Pantanal (FIC). O livro também pode ser comprado de qualquer parte do Brasil e entregue pelos Correios, bastando encomendar pelo facebook de Marlene Mourão ou whatsApp 67-999-593758, com  comprovante de depósito de R$ 20 na agência bancária 0014-0, conta corrente 4250-1. A obra, ilustrada pela própria Peninha, famosa por seus desenhos em bico de pena e pinturas em aquarela, é resultado de apurada pesquisa histórica da lenda de Frei Mariano, que dá nome à principal rua de Corumbá e teria rogado uma maldição na cidade. Peninha dedica o livro à Helô Urt, ex-presidente da Fundação de Cultura, falecida em 2011, que deixou como legado o resgate das tradições culturais da cidade, deu voz e espaço às minorias e criou o bloco As Sandálias de Frei Mariano, que sempre abre na quarta à noite o Carnaval de Corumbá. Peninha define Frei Mariano como "herói de guerra, educador, pregador imperial, conciliador, evangelizador e construtor de templos". Foi preso e torturado em Assunção durante a Guerra do Paraguai. 



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A resistência dos negros conscientes

Nelson Urt
O Grupo Argos de Teatro, dirigido pelo incansável Anibal Monzon (foto), argentino radicado em Ladário, protagonizou mais uma importante ação com um encontro cultural no auditório da Câmara Municipal para celebrar o Dia da Consciência Negra. A festa contou com a energia da juventude boliviana, representada pelo grupo de Ballet Municipal Pukinunkúx (Bailado da Alegria, no idioma quechua), de Puerto Quijarro. Apresentou-se também um grupo de capoeira, como representante da resistência negra no Brasil. Resistência lembrada nas ardentes palavras do professor e jornalista Schabib Hany, do poeta e ativista Benedito C.G.Lima, da diretora do Moinho Cultural Márcia Rolon, da presidente do Imnegra (Instituto da Mulher Negra), Edmir de Paulo; e das professoras Cristiane Silva e Laura Segóvia. 
Ballet boliviano de Puerto Quijarro encanta na festa
Resistência abordada no dueto teatral de artistas Anibal Monzon e Virgilio Miranda. E na poesia declamada por Benedito, "Quem disse que sou negro?", um clamor contra o racismo e o preconceito que ainda hoje abala e polariza a sociedade brasileira, onde a maioria, mesmo mestiça, insiste em se proclamar branca e ignorar seus lanços afrodescendentes. Na verdade, ignoram os 6 milhões de africanos, nossos descendentes, que aqui chegaram acorrentados e escravizados no Brasil Colonial, mas que aqui fincaram suas raízes étnicas e culturais. Edmir lembrou a “dívida histórica” com os negros no país com o sistema escravocrata mais duradouro do mundo e da mão de obra escrava usada para a construção dos casarios de Corumbá. Schabib, por sua vez, destacou o papel da cultura em aflorar a consciência nesse “momento de resistência”.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Quem ganhou com a Revolução Russa

Auditório da UFMS lota durante encontro sobre revolução russa
Nelson Urt

A Revolução Russa, que neste novembro celebra 100 anos de história, deixou legados importantes para a humanidade, como educação universal e pública, a saúde gratuita, a regulamentação das jornadas e das condições trabalhistas, os direitos civis das mulheres, entre outros. Foi uma extensão da Revolução Francesa em termos de conquistas de direitos sociais, conforme análise do filósofo francês René Rémond. Um terço da humanidade viveu, durante esse período, sob sistemas de governo e economias derivados de variações da fórmula social proposta pelo marxismo-leninismo surgido em 1917. Muitas medidas adotadas até hoje pelo capitalismo tem como estratégia conter um pouco provável despertar comunista, como a criação do Estado de Bem-estar social. Também se deve aos russos a expansão da social-democracia, presente em alguns países europeus. São antídotos para manter o sono do gigante adormecido, conhecido hoje apenas como a Rússia de Putin. Este e outros assuntos foram tema de debates durante o encontro 100 anos da Revolução e o Nascimento da Psicologia Soviética, organizado pelo curso de Psicologia do Campus Pantanal da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) nesta quinta, 9 de novembro, no auditório do bloco H. A mesa redonda contou com os professores Ronny Machado de Moraes (Psicologia/UFMS), Gilson Lima Domingos (História/IFMS), André Motta (Sociologia/IFMS) e Cláudia Mondini (Psicologia/UFMS), com intermediação de Ilidio Roda Neves (Psicologia/UFMS). Quem está em busca de mais conhecimento sobre o marxismo pode participar do encontro do grupo Societá, com estudos sobre o tema aos sábados às 16h na sede do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) em Corumbá. Para 2018 os professores anunciam o II Encontro de Psicologia Sócio-Histórica no Campus Pantanal da UFMS.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Na 'europeia' Argentina, índios invisíveis são 950 mil

Palestra na UFMS mostra realidade argentina na relação com migrantes
Nelson Urt

Em Corumbá, as antropólogas argentinas Gabriela Novaro e Ana Carolina Hecht ajudam a esclarecer alguns pontos obscuros ou completamente desconhecidos para nós brasileiros em relação ao país vizinho. Sim, grande parte dos argentinos se considera "europeu" por influência do imigrante na formação da população até o século XIX e pelo desejo de desvincular seus laços com o restante da América Latina."O eurocentrismo ainda é muito forte, principalmente na Grande Buenos Aires", afirma Gabriela Novaro, com base em recente pesquisa. Portanto, não se trata de mero senso comum. Some-se a isso a onda de neoliberalismo que também domina a Argentina e a febre nacionalista que vê em todo imigrante o "outro" que vem para "roubar" postos de trabalho e teremos uma situação constrangedora para os povos indígenas e migrantes bolivianos que vivem na Argentina.
Outro mito que cai por terra graças aos estudos antropológicos é de que não há mais indígenas na Argentina. O Censo de lá cadastrou cerca de 950 mil indígenas (mapuches, m'bya guarani, tobas, collas, matacos, chiriguanos), quase o mesmo número registrado pelo Censo do IBGE 2010 para o Brasil. Esqueça portanto aquele senso comum de que todos os indígenas que viviam na Argentina foram dizimados pelos colonizadores - essa é mais um história distorcida inventada pelas classes dominantes para passar uma borracha no passado dos povos originários. Lembre-se: ninguém quer dividir um palmo sequer de terra com os indígenas. E, como o Brasil, a Argentina também é o país do agronegócio. Há uma aldeia da etnia toba na Grande Buenos Aires. E eles ainda cultivam a língua toba, apesar de todo o empenho das políticas públicas de fazê-los falar apenas o espanhol, a língua dominante.
Antropóloga Ana Carolina Hecht fez palestra em Corumbá
Os brasileiros acreditam que a onda de migração de bolivianos, em busca de trabalho, passa por Corumbá e chega a São Paulo. Outro mito derrubado pelas antropólogas. A presença de bolivianos na Argentina é tão forte quanto no Brasil. Ocorre que eles são tratados como "invisíveis", migrantes indesejáveis, discriminados pela política neoliberal eurocentrista. "Há uma inclusão subordinada", diz Ana Carolina Hecht. A capa de uma revista reflete o que parte da imprensa local pretende difundir: "Invasão silenciosa", diz a manchete, com a imagem de um homem desdentado, com ar aterrorizante, ameaçador, representando a onda de migração.
Como os 20 mil bolivianos de São Paulo vivendo a 1,2 mil km da fronteira, a Argentina convive com o mesmo fenômeno em Buenos Aires, distante por exemplo da fronteiriça Salta. E lá os traços da xenofobia também estão presentes: "Argentino com fome, boliviano em (caminhonete) 4 por 4", escreveu um xenófobo na poltrona de um ônibus comercial em Buenos Aires, em imagem colhida pelas antropólogas.
Argentinos que se auto-imaginam brancos usam a expressão "cabecitas negras" para se referir a pobres da periferia, sejam indígenas, bolivianos ou paraguaios. No século XX serão os paraguaios os responsáveis pela maior onda de imigração na Argentina.
Esses e outros temas angustiantes nas relações humanas foram abordados pelas antropólogas e professoras da Univerisdade de Buenos Aires Gabriela Novaro e Ana Carolina Hecht durante a palestra "Educação, povos indígenas e migrantes na Argentina" na unidade III do Campus Pantanal (Universidade Federal de Mato Grosso Sul), em Corumbá, nesta segunda, 11 de setembro, com coordenação do professor Marco Aurélio Machado, do Mestrado em Estudos Fronteiriços do CPAN.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Palhaça Ximbica encanta estudantes de Ladário

Ximbica traz espetáculo premiado para o ginásio da Escola Marquês
Nelson Urt

A palhaça Ximbica Lu Sandra da Silva ou simplesmente Ximbica trouxe muita diversão para as crianças de Ladário com seu premiado espetáculo "Que bom que você veio", apresentado nesta quinta, 24 de agosto, no ginásio da Escola Municipal Marquês de Tamandaré, que completa dez anos de atividades no bairro Nova Aliança. Depois de percorrer mais de 20 mil km em quatro Estados, a atriz gaúcha Rose Battistella chega à Pérola do Pantanal com sua proposta de resgatar a inocência das crianças nas pessoas e despertar valores como o amor e a alegria. No papel da mulher palhaço Ximbica, Rose usa "magia, mistério e sedução" na tentativa de encontrar um namorado na cidade. Entre tramas e trapalhadas, consegue "roubar" um beijo de um professor. E provoca longas gargalhadas do público quase todo infantil. O espetáculo, contemplado pela Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, recebeu o Prêmio Artes Cênicas de Minas Gerais. De  Ladário vai percorrer outras quatro cidades de Mato Grosso do Sul e encerrar a turnê.
Rose faz parte da nova geração de palhaças brasileiras, que romperam as barreiras do preconceito no papel até o século passado reservado apenas aos homens. Uma importante contribuição para essa reconstrução é a apresentação do documentário "Minha avó era palhaço", sobre a história de Xamego, o primeiro palhaço negro do Brasil, interpretado por uma mulher, Maria Elisa Alves dos Reis. O filme tem a direção da neta dela, Mariana Gabriel, filha do jornalista paulista Roberto Salim. Como Rose no papel de Ximbica, Mariana hoje diverte o mundo como a palhaça Birota. A figura da palhaça se popularizou no Brasil apenas nos anos 1980 com o surgimento das escolas de circo. Com uma vantagem: são espetáculos para toda a família, sem restrição de idade, que encantam adultos e crianças.